Deus Marcial

Capítulo 23 — O Estrategista (策士)

No segundo dia do torneio, o nome de Pung já corria de boca em boca por todos os cantos do pátio de treinamento.

Até ontem, mesmo o oficial das leis que conferia as placas de inscrição perguntara o nome duas vezes; agora, cada vez que Pung passava sob as arquibancadas, os sussurros vinham antes dele. Dizer que ele quebrara a espada veloz de Cheongseong com as mãos nuas ainda era algo próximo da verdade, mas também se ouvia que ele recuara de propósito até a beira da plataforma para humilhar o adversário, ou que adivinhava o trajeto da lâmina antes que ela o alcançasse. Alguns diziam que era discípulo de um excêntrico escondido nas montanhas profundas, e circulava até o boato de que era filho de uma grande família que ocultava o próprio nome.

A Pung, nada daquilo soava como sua própria história: no dia anterior, fora encurralado até quase cair para fora da plataforma, e percebera tarde demais a armadilha do discípulo de Cheongseong. No entanto, bastou uma noite para que a boca do mundo marcial apagasse por completo aquele tempo precário e deixasse apenas o último golpe.

— Amigo, na estalagem do lado do portão norte contam que o espadachim de Cheongseong brandiu a espada doze vezes e não conseguiu tocar nem uma gola.

Quando Makdong despejou o boato que recolhera logo de manhã, Ayeong lhe lançou um olhar de esguelha.

— E tem alguém que contou?

— Contar, ninguém contou. Por isso mesmo eu aviso antes que doze virem dezoito, não é?

— Se for você a espalhar, vira vinte.

Makdong fechou a boca como quem foi injustiçado, mas seus olhos, ao fitar Pung, estavam cheios de riso; Pung quase soltou um sorriso, e então seu olhar cruzou com o de algumas pessoas que o observavam das fileiras altas da arquibancada. Os emblemas nas vestes marciais eram diferentes entre si, mas todos olhavam para Pung por mais tempo do que para a plataforma.

Veio-lhe à mente o aviso de Hyeonheo: quando um nome se espalha, até aquilo que se quer esconder atrai atenção. Pung baixou com naturalidade a mão que ia em direção à gola esquerda. O pedaço copiado do livro fora recosturado por Ayeong de madrugada, e nem a linha aparecia por fora; o problema não era o objeto, mas o hábito do próprio corpo de querer protegê-lo.

Hyeonheo disse, olhando de soslaio:

— O adversário de hoje subirá depois de ter visto o duelo de ontem.

— Também terá visto o caminho por onde recuei?

— Se viu, vai usá-lo; se não viu, vai acreditar nos boatos. De um jeito ou de outro, não será como ontem.

Um golpe mostrado uma vez já não pertencia só a Pung. Como ele esquivara da espada do discípulo de Cheongseong e em que instante penetrara por dentro — os de olhos afiados teriam repassado aquilo a noite inteira.

Quando os confrontos do segundo dia foram afixados, houve grande alvoroço diante do pátio: em frente ao nome de Pung estava escrito Yu Sangbaek, discípulo de primeira geração da seita Jeomchang. Um espadachim que, em três duelos no dia anterior, jamais permitira a um adversário chegar perto, e ao qual se atribuía perícia em variações que sobrepunham sombras de espada para turvar as rotas de fuga.

Makdong olhou para o quadro dos confrontos e estalou a língua.

— A técnica da espada solar de Jeomchang, hein. Aqueles também não vão deixar o amigo em paz.

Yu Sangbaek não demonstrou surpresa diante do quadro. Media com gestos a largura da plataforma junto a um irmão de seita, e de quando em quando olhava os pés de Pung; nas linhas que o irmão de seita traçava no chão estavam registrados, intactos, a direção em que Pung recuara no dia anterior e o ponto em que ele penetrara ao final.

Ayeong disse em voz baixa:

— Não ouviram só os boatos. Parece que decoraram o duelo de ontem inteiro.

Um arrepio percorreu a espinha de Pung. Assim como na montanha a mesma encosta e a mesma rocha abriam caminhos diferentes conforme a estação, os guerreiros do mundo marcial não paravam em lembrar o que viram uma vez: transformavam-no para a luta seguinte.

A vez de Pung chegou pouco depois do meio-dia.

Quando os dois subiram à plataforma, o som das arquibancadas subiu de tom. Yu Sangbaek tinha compleição magra e braços longos; mesmo depois de erguer a espada em saudação, seu olhar permaneceu mais entre os pés de Pung do que em seu rosto.

— Vi o duelo em que se mediu com meu par de Cheongseong.

— Eu também vi os seus duelos.

— Então, sabendo tanto um do outro, será difícil enganar.

No tom não havia hostilidade nem bravata, e foi justamente essa serenidade que deixou Pung tenso. Yu Sangbaek não escondia o que tinha visto, e parecia julgar que, mesmo sabendo, poderia ser detido.

A mão do árbitro desceu.

A primeira espada de Yu Sangbaek foi mais lenta do que o esperado. Enquanto a ponta mirava o pescoço, ele moveu meio passo para a esquerda e deixou vago o centro da plataforma; quando Pung se desviou para a direita, ele não o seguiu e recolheu a lâmina. A segunda investida também não foi profunda, e na terceira a sombra da espada se partiu em duas, mas nenhuma das partes carregava força inteira.

Só depois de esquivar três vezes Pung percebeu que o adversário media distância mais do que atacava: Yu Sangbaek verificava a que distância da ponta Pung se movia e qual pé ele recuava primeiro diante de estocadas e cortes.

A partir da quarta investida, o intervalo mudou.

As sombras da espada se dispersaram em três diante de seu rosto e, no instante em que Pung tentou desviar para a esquerda, o pé de Yu Sangbaek já pisava aquele lugar. No caminho por onde baixaria o ombro e penetraria para dentro estava o punho da espada; onde poderia recuar, a ponta vinha atrás com meio tempo de atraso. Nenhum daqueles era um golpe fatal, mas todos os caminhos se estreitavam um pouco.

Pung não forçou a entrada por dentro; era grande a possibilidade de que esperassem o último golpe do dia anterior. De fato, bastou baixar o corpo uma vez para que o cotovelo de Yu Sangbaek colasse de imediato e a extremidade do punho mirasse sua clavícula; se tivesse entrado um pouco mais fundo, teria sido barrado por aquele golpe antes mesmo da espada.

Torcendo o corpo para escapar do punho, Pung recuou dois passos; quando seus calcanhares pisaram o pó áspero de pedra da plataforma, das arquibancadas irromperam ao mesmo tempo suspiros e aclamações. Pareciam achar que ele estava sendo encurralado até a borda, como no dia anterior.

Mas Yu Sangbaek não o empurrava por um único caminho aparentemente seguro: abria a direita e fechava, bloqueava a esquerda e cedia meio passo, impedindo-o de manter um intervalo familiar. E se uma única espada parecia se desdobrar em várias, não era apenas pela velocidade da ponta: enquanto a lâmina anterior prendia o olhar, a variação seguinte já começava em outra distância.

Pung conteve o impulso de puxar energia para os olhos. Se abrisse fundo a visão dos meridianos, poderia encontrar mais depressa o fluxo dentro das sombras da espada, mas não podia revelá-lo num lugar onde tantos olhares se reuniam. Acima de tudo, ver não significava vencer: ontem percebera tarde a intenção do adversário, e hoje era o adversário quem media antes as reações de Pung.

As variações contínuas da técnica da espada solar vinham em ondas. Ao se esquivar para o lado de uma lâmina que caía de cima, seguia-se um corte horizontal mirando a cintura; se abria distância, a ponta girava em círculo e barrava a frente de seus tornozelos. Yu Sangbaek não tinha a ganância de dominá-lo de uma vez, e não lhe dava folga; por causa dessa calma, a espada era ainda mais tenaz.

Mesmo quando via uma chance de contra-atacar, Pung não estendia a mão: não conseguia julgar se era uma distância deixada de propósito, e havia o risco de, ao tentar agarrá-la precipitadamente, a gola esquerda ficar presa no trajeto da lâmina. Em vez disso, guardava na cabeça os quatro cantos da plataforma e a amplitude dos passos do adversário, movendo-se apenas o bastante para não desarranjar a respiração.

Cinco vezes.

Sempre que Yu Sangbaek sobrepunha as sombras da espada e avançava, após a quinta variação surgia uma brecha muito curta; só que, na primeira brecha, a espada voltava baixa, e na segunda o punho mirava o dorso da mão de Pung. Ainda que fosse a mesma quinta, o final era diferente.

Pung esperou até a terceira sequência de variações.

Seus braços doíam e a respiração ficara mais áspera do que antes, mas Yu Sangbaek também não era o mesmo do início: o número de sombras não diminuía, porém, a cada instante em que passava da quarta para a quinta, a manga vinha atrás com um atraso mínimo. Se era pelo pulso, pelo ombro ou pela respiração alongada, não dava para saber; restava apenas a sensação vaga de que, em algum lugar fora da ponta vistosa, havia um vestígio que determinava a velocidade da variação seguinte.

Não se podia penetrar apenas com suposições.

Em vez de ler antecipadamente as variações de Yu Sangbaek, Pung decidiu aguentar até que a última lâmina terminasse por completo; e, para isso, precisava deixar distância suficiente para não ser encurralado até a borda e não alargar os passos, arrastado pelas sombras diante dos olhos.

Começou a quarta sequência de variações.

A primeira lâmina roçou acima da têmpora, a segunda cortou diante do peito, e Pung, inclinando apenas o tronco para trás, deixou a ponta escorrer e moveu o pé meio palmo. Na terceira, sua manga inflou muito, mas ele não perseguiu a ilusão; quando veio a quarta estocada, só então recuou o pé direito em diagonal.

A quinta.

A espada de Yu Sangbaek girou baixa e cortou a rota de fuga: era o golpe que esperava exatamente a mesma forma com que Pung penetrara por dentro no dia anterior. O punho colou, o cotovelo fechou, e até o preparo para empurrar quem se aproximasse estava pronto.

Pung não entrou.

Ao contrário, ergueu a ponta dos pés e recuou exatamente a distância que a espada levava para voltar. A ponta de Yu Sangbaek parou diante da barra de sua roupa, mas a lâmina, que já dividira sua força em cinco variações, não conseguiu criar de imediato uma sexta.

Foi uma pausa muito curta.

Naquele instante, Pung contornou não o lado de dentro, mas o lado de fora da espada e colou-se ao flanco de Yu Sangbaek; o adversário tentou recolher a lâmina às pressas, mas Pung, sem agarrar a espada, empurrou-lhe levemente o braço com o ombro e enganchou o pé. O peso de Yu Sangbaek, em plena retirada da espada, pendeu para o lado.

Yu Sangbaek torceu a cintura e resistiu, a um passo de cair para fora da plataforma; mas, para recuperar o equilíbrio, teria de soltar a espada ou mostrar as costas a Pung. Pung, antes que aquelas costas se virassem, parou com a palma da mão encostada perto da escápula.

Um breve silêncio desceu.

Yu Sangbaek olhou alternadamente para a linha de limite sob a ponta de seus pés e para a mão de Pung, e então baixou lentamente a espada.

— Perdi.

Quando o árbitro declarou a vitória de Pung, o pátio ferveu com atraso: não fora uma submissão dramática como a da véspera, mas era um duelo que ninguém poderia chamar de acaso. Pung suportara as sombras da espada de Jeomchang sem ceder distância e, evitando a armadilha preparada pelo adversário, escolhera o instante em que as variações contínuas terminavam.

Antes das aclamações, Pung examinou a própria respiração: braços e panturrilhas pesados, suor frio nas costas, mas nenhum ferimento — e a gola esquerda também estava intacta.

Yu Sangbaek disse, guardando a espada:

— Pensei que você entraria pelo mesmo caminho de ontem.

— Eu quase entrei.

— Então não leu toda a minha espada.

Pung balançou a cabeça com franqueza.

— Algumas vezes não soube até o fim para onde ela ia. Por isso esperei até que terminasse.

Um sorriso leve se espalhou no canto da boca de Yu Sangbaek.

— Isso é ainda pior. Quem não finge saber o que não sabe é difícil de atrair para a armadilha.

Os dois trocaram saudações de punho. Mesmo ao descer da plataforma, Pung repassava a quinta variação de pouco antes, mas aquele atraso mínimo que sentira fora da ponta da espada ficava mais turvo quanto mais tentava agarrá-lo.

Ayeong lhe entregou o cantil.

— Machucado?

— Nenhum. Só um pouco cansado.

Makdong interveio com um rosto de admiração.

— Até eu, olhando, quase gritei para o amigo entrar. Como foi que aguentou?

— Achei que não devia entrar.

— É essa a razão inteira?

— É.

Makdong riu, desconcertado, e Hyeonheo, examinando a respiração de Pung, disse:

— Como não conseguiu ver até o fim, foi correto o julgamento de esperar o fim. Mas não tome à força o que sentiu hoje por uma resposta.

Pung assentiu brevemente, e então um leque dobrado entrou em seu campo de visão.

Jegal Soso estava a alguns passos de distância; quando seus olhos encontraram os de Pung, ela apontou com a ponta do leque para a galeria por onde passava menos gente.

— Podemos conversar um instante?

Ayeong perguntou antes de Pung.

— Sobre o quê?

— Não é uma investigação dos oficiais do torneio. Há algo que quero informar ao jovem mestre Dan.

Quando Pung assentiu, Ayeong o acompanhou até a galeria, e Jegal Soso não fez disso um problema; olhou uma vez ao redor e baixou a voz.

— No exame de inscrição, quando se falou em pertences, o jovem mestre Dan recuou meio passo com o lado esquerdo. Ontem, sempre que a espada do discípulo de Cheongseong ia em direção à gola esquerda, seus passos se alargavam; e hoje, quando a lâmina podia alcançar aquele lado, você desistiu do contra-ataque.

O peito de Pung gelou: ela não dissera saber da existência do livro, mas chegara até o ponto de saber que havia algo a ser protegido.

Ayeong perguntou friamente:

— Então acha que Pung está escondendo alguma coisa?

— Não confirmei. Nada aparece por fora, e o jovem mestre Dan nunca verificou com a mão.

Jegal Soso não apresentava suposições como fatos. Por isso mesmo Pung teve de ficar ainda mais alerta: quem distingue o que sabe do que não sabe não se agarra facilmente a pistas equivocadas.

— Por que nos conta isso?

— Porque, se eu percebi, outra pessoa também pode ter percebido.

Jegal Soso dobrou o leque e voltou o olhar para os assentos dos anciãos.

— Ontem, depois que o duelo do jovem mestre Dan terminou, houve três olhares que seguiram você, e não a plataforma. Um vinha dos assentos das seitas a leste, outro de perto da passagem dos oficiais das leis, e o último de trás dos assentos dos anciãos. Dos dois primeiros posso verificar os lugares designados, mas, quanto à parte de trás dos assentos dos anciãos, ainda não descobri o dono da cadeira.

Vieram-lhe à mente os lugares que Songjin percorrera com o olhar no dia anterior. Podiam ser apenas pessoas observando um participante que ficara famoso por acaso, mas, se os três seguiram só Pung mesmo depois do fim do duelo, não dava para deixar passar.

— Poderia descobrir quem são essas pessoas?

— Contarei apenas o que estiver confirmado. Em troca, se o jovem mestre Dan notar algum movimento suspeito durante o torneio, avise-me. Não precisa revelar o que procura.

Ayeong perguntou:

— E que garantia temos de que não passará nossa conversa a outra pessoa?

— Agora não posso dar nenhuma. Eu também ainda não confio em vocês dois.

Foi uma resposta inesperadamente franca; Ayeong cerrou os lábios, como se não gostasse, mas não a pressionou mais.

Pung pensou um instante e assentiu.

— Trocaremos apenas fatos confirmados. E, quanto às suposições, diga que são suposições.

— Está bem.

Jegal Soso não indagou mais nada e, pouco antes de se virar, seu olhar tocou uma vez a gola esquerda de Pung e se desviou. Só com aquele movimento breve, o peso do pedaço do livro pareceu ficar subitamente várias vezes maior.

Quando Jegal Soso desapareceu, Ayeong disse em voz baixa:

— Se é atrás dos assentos dos anciãos, precisamos verificar se coincide com o lugar que o tio Songjin examinou.

— Sim. E também descobrir se os três são do mesmo lado.

No instante em que os dois iam voltar para junto de Makdong, à frente se aproximou Namgung Hwi, em vestes marciais brancas; os dois jovens das grandes famílias que o seguiam pararam a um gesto de sua mão, e Namgung Hwi ficou sozinho diante de Pung.

— Vi o duelo de hoje.

Pung saudou com o punho, mas Namgung Hwi foi direto ao assunto, antes das formalidades.

— Você aguentou até a espada de Jeomchang terminar. Também entendo o que você espera.

Ele empurrou a bainha com o polegar e soltou; um estalo curto cortou o burburinho da galeria.

— Da próxima vez que nos encontrarmos, começarei apagando a distância que você considera segura.

O olhar de Pung foi até a bainha.

— Farei com que a espada alcance mesmo que você recue para longe, e que não consiga apanhar o início mesmo que entre perto. De modo que seus olhos não distingam onde a lâmina começa e onde termina.

Na voz de Namgung Hwi não havia bravata. Havia apenas a certeza nítida de que poderia derrotá-lo mesmo depois de lhe dar tempo para se preparar, e por isso a ameaça pesava ainda mais.

— Então eu também terei de ver outra coisa.

— E o que pretende ver?

Pung pensou um instante, mas não havia resposta a inventar.

— Ainda não sei.

As sobrancelhas de Namgung Hwi se moveram de leve; Pung esperava um escárnio, mas ele apenas o fitou por um tempo e então se virou.

— Ótimo. Suba sem saber. Verei se há tempo de encontrar a resposta na plataforma.

Quando todos os duelos da tarde terminaram, restavam oito participantes. Entre o espadachim da flor de ameixa da seita Hwasan, o guerreiro da família Dang de Sacheon e jovens talentos renomados como Jegal Soso, também estava pendurado o nome de Pung — e o único nome sem um único emblema de seita decente era o dele.

Quando o novo quadro de confrontos foi afixado, a voz das pessoas fez o muro ressoar.

Danpung e Namgung Hwi.

Makdong tocou os dois nomes com o dedo e engoliu um assobio.

— Parece que a organização também não pretende adiar o duelo que todos querem.

Pung olhou para os que se reuniam diante do quadro: no interesse ampliado por duas vitórias não havia apenas simples curiosidade. Ao lembrar de Jegal Soso examinando sua gola esquerda, dos três olhares que o seguiram mesmo depois do fim do duelo, e da cadeira de dono ainda desconhecido atrás dos assentos dos anciãos, pareceu que também fora da plataforma começara um confronto invisível.

Mas o adversário com quem cruzaria a espada amanhã era claro.

Depois de voltar à estalagem, Pung não conseguiu dormir por um bom tempo. Ao fechar os olhos, passavam a rota de fuga que o discípulo de Cheongseong deixara aberta e as sombras sobrepostas do discípulo de Jeomchang; por fim, veio-lhe a espada com que Namgung Hwi quase nada mostrara ao longo de três golpes.

Era uma espada notável. Só que, fora da ponta, havia um vestígio como de algo desencontrado por um instante, e ele não conseguia discernir se era uma brecha ou a pista de uma reação que escolhia a variação seguinte.

De olhos fechados, Pung repassou aquele vestígio breve inúmeras vezes; a resposta não se deixava apanhar, mas ao menos uma coisa ia ficando nítida: o que ele precisava ver a mais, amanhã, na plataforma.

Fim do capítulo 23

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