Finalmente, os nomes de Pung e Namgung Hwi foram chamados lado a lado.
O campo de treinamento, que murmurava, esquentou num instante: o gênio da espada de que se orgulhava a ilustre Casa Namgung e um garoto que subira pela seleção preliminar, sem sequer um mestre ou uma escola. De um lado, davam a vitória de Namgung Hwi como certa; do outro, esperavam que Pung, que já havia desmentido as previsões duas vezes, mostrasse algo também desta vez. Quando as vozes opostas se chocaram tendo o tablado entre elas, o eco pareceu subir pelas lajes sob os pés.
Ao subir no tablado, Pung apertou uma vez a gola esquerda, e o pedaço do livro costurado por dentro continuava lá. Hoje, precisava esconder até o gesto de protegê-lo. Namgung Hwi já havia percebido a distância e a variação de passada que Pung deixava ao esquivar, e tampouco podia esquecer o aviso de Hyeonheo de que olhos aguçados talvez tivessem reparado até na gola.
Do lado oposto, Namgung Hwi vestia um traje marcial branco e trazia à cintura uma espada longa quase sem ornamentos, e, diferente do dia anterior, os jovens da casa que o seguiam não estavam à vista. Tendo subido sozinho ao tablado, em vez de medir Pung de cima a baixo, encarou-o diretamente nos olhos.
— Achou a resposta ontem à noite?
Pung balançou a cabeça com franqueza.
— Não achei uma resposta definitiva.
— E mesmo assim subiu.
— É que me pareceu que só subindo eu conseguiria achar.
O canto da boca de Namgung Hwi moveu-se muito de leve, mais parecido com a expressão de quem ouviu uma resposta de seu agrado do que com um escárnio, mas ele nada mais disse e sacou a espada. A lâmina lisa reluziu branca ao sol e, naquele instante, o alvoroço fora do tablado afastou-se uma camada.
Pung regulou a respiração com as duas mãos naturalmente baixas e, mesmo olhando a espada de Namgung Hwi, na cabeça lhe voltavam as mudanças encadeadas que o discípulo de Jeomchang exibira no dia anterior. Algo que se alterava primeiro para fora da ponta. Quanto mais tentava reconhecer, mais se esvaía; era um vestígio a que, se desse um nome à força, sairia uma resposta equivocada.
O árbitro conferiu os dois alternadamente e baixou a mão.
— Comecem!
Namgung Hwi deu o primeiro passo.
Não houve brecha entre o instante em que a espada saiu e o instante em que avançou em estocada, e o primeiro movimento do Método da Espada do Céu Azul era reto como quem fende o firmamento, veloz e ainda assim nada leve. Enquanto o vento da lâmina pressionava a face de Pung, a ponta mirava exatamente entre o pescoço e o ombro.
Pung desviou meio passo; recuar demais seria ser perseguido pelo movimento seguinte, e ficar perto dificultaria responder no instante em que a espada dobrasse. Quando a ponta roçou à frente de sua gola, ele girou o pé direito tentando sair pelo lado externo de Namgung Hwi.
Mas a espada de Namgung Hwi bloqueou o caminho antes.
Antes mesmo que a força da primeira estocada se dissipasse, a lâmina deitou de lado e varreu a frente do peito de Pung. Pung inclinou o tronco para trás e escapou, mas a terceira investida irrompeu de baixo, e o brilho da espada que caiu em seguida cobriu até o lugar para onde recuar. Cada técnica estava claramente encadeada, mas nenhuma era arrastada pela anterior — era uma mudança que não se podia cortar nem dar por encerrada.
Pung recuou três passos e moveu-se para o lado, e então Namgung Hwi encurtou a passada. Em troca de a espada ficar mais curta, o intervalo se estreitou, e quando Pung tirou de novo meio passo, desta vez a ponta se estendeu longa.
Lembrou-se do que ouvira no corredor no dia anterior.
Vou apagar primeiro o intervalo que você considera seguro.
Namgung Hwi fazia exatamente o que dissera: se Pung esquivava amplo, ele estocava longe; se encurtava a passada, recolhia a espada e sobrepunha variações próximas. Na mesma distância, a espada encurtava e depois se alongava, e até o instante em que o ataque parecia cessar se convertia no começo da lâmina seguinte. Mesmo sem perder de vista a trajetória da espada de Namgung Hwi, Pung sentia diminuírem os lugares onde pôr os pés.
Conhecer a espada de antemão não bastava: para esquivar era preciso já estar antes no lugar adequado, e Namgung Hwi vinha mudando continuamente esse lugar adequado.
Pung torceu o corpo para a esquerda, consciente da borda do tablado, e o clamor da plateia subiu de uma vez, e a espada de Namgung Hwi arremeteu rasgando aquele som. Era uma estocada ao peito, reta e rápida, mas parecia mais simples que os ataques anteriores, o que significava que a mudança seguinte estaria escondida atrás.
Pung fitou a ponta e saiu para a direita.
Nesse instante a estocada parou.
O punho de Namgung Hwi dobrou e a espada escorreu de lado, vindo cortar em cheio o flanco de Pung, uma mudança natural demais para se dizer que mirava ali desde o início. A partida era a mesma o bastante para permitir alterar de sobra mesmo depois de confirmar a direção da esquiva de Pung.
Pung torceu a cintura às pressas.
Slic.
Com um som fino, a aba da roupa rasgou-se num talho longo, e o retalho de tecido cortado balançou ao vento antes de cair sobre a laje, e um vento de lâmina gélido raspou a pele do flanco. Um pouco mais tarde e não seria o tecido, mas o corpo, o cortado.
Desde que entrara no torneio, era a primeira vez que uma espada quase o alcançava.
Pung recuou dois passos e recompôs a postura, sem ferimento algum. A gola esquerda, onde o pedaço do livro estava escondido, também estava intacta, mas um suor frio lhe escorreu pelas costas. O som das arquibancadas cresceu ainda mais e, dentro dele, alguém gritou o nome da Casa Namgung, mas para Pung soava apenas como ondas distantes.
Namgung Hwi falou, com a ponta baixada.
— Não foi vendo para onde você ia esquivar que mudei a espada.
Pung, regulando o fôlego, olhou-o.
— Não separei golpe falso de golpe verdadeiro. Fiz de modo que, até você se mover, pudesse ser qualquer um dos dois. Por isso, por mais tempo que fite a ponta, não sai resposta nenhuma.
Naquelas palavras não havia a euforia de quem tomou a dianteira; Namgung Hwi estava sereno, como quem apenas confirma que o teste que preparou funcionou. Pung sentiu antes uma pressão ainda maior naquela atitude: quem não pensa em se gabar de um golpe que enganou uma vez teria sobreposto o mesmo princípio a outras variações.
— Ainda assim pretende continuar olhando?
Pung baixou os olhos uma vez para a aba cortada e respondeu:
— Sim. Porque ainda há algo que não vi.
Namgung Hwi moveu-se de novo.
Desta vez o brilho da espada pareceu partir-se em três, e a lâmina que caía de cima, a que cortava o flanco e a que estocava direto ao peito sobrepuseram-se quase no mesmo instante. Pung desviou o primeiro movimento e abaixou-se para escapar do segundo, mas, no momento em que recuava fugindo do terceiro, a primeira lâmina ressuscitou e barrou a retirada.
Namgung Hwi não alternava golpes falsos e verdadeiros. Se um golpe verdadeiro errava, tomava-o como o falso seguinte; se Pung não reagia ao falso, convertia-o tal e qual num verdadeiro capaz de rasgar carne. Manejava a espada de modo a não errar qualquer que fosse a escolha, de sorte que, quanto mais Pung tentava discernir o verdadeiro do falso pela ponta, mais tardio ficava o julgamento.
Pung ergueu o braço para tentar empurrar o dorso da lâmina, mas parou: viu a mudança que se seguiria ao choque. Se estendesse a mão, o punho seria cortado; se penetrasse para dentro, o cabo voltaria e lhe golpearia o ombro. Acabou baixando o corpo e escapando a custo por baixo da espada, mas o pé de Namgung Hwi já ocupava o caminho à frente.
A cada escolha, o perigo crescia.
Ainda assim, Pung não pôs força nas pontas dos dedos de modo precipitado. Se a ameaça se aproximasse mais e ele soltasse força sem pensar, aquela força — ainda não reduzida à finura de um fio — poderia arrastar não só Namgung Hwi, mas até o árbitro postado perto do tablado, e a visão dos meridianos também não podia ser elevada à toa num lugar em que todos os olhos se concentravam.
A resposta de que precisava agora não era o anel.
A espada de Namgung Hwi voltou a mirar o ombro, com a mesma partida do golpe que antes cortara a aba da roupa. Pung recuou de propósito meio passo na mesma direção, fitando a ponta, e o punho de Namgung Hwi não se torceu para lado algum até o fim, e a lâmina também seguiu reta.
Esperar o instante da mudança é chegar tarde.
Quando esse pensamento o atravessou, ressurgiu a sensação que não conseguira capturar no dia anterior: o atraso que percebera vagamente para fora da sombra da espada do discípulo de Jeomchang não estava na ponta. Pouco antes de a espada mudar, algo se movia primeiro em outro lugar, e naquela hora, ocupado em esperar apenas o instante em que as mudanças encadeadas terminassem, ele não pudera olhar mais fundo.
Pung ampliou o olhar.
Da ponta para o punho, do punho para o cotovelo e o ombro. Abaixo do ombro havia a cintura, e havia a bacia e os pés que sustentavam a cintura. Mas, olhando apenas os movimentos exteriores, seria de novo apenas ludibriado pelas falsidades que Namgung Hwi misturava de propósito.
Pung elevou aos olhos uma camada finíssima de energia.
Não foi que o mundo desacelerou; a espada de Namgung Hwi continuava veloz, e os movimentos da plateia borravam-se difusos. Só que a energia que corria sob o traje branco aparecia ligada como um curso d'água tênue, e a energia que se erguia do dantian passava pela bacia, torcia a cintura e, pelo ombro, fluía até o punho. A ponta ainda apontava para o peito, mas parte da energia já se preparava para girar de lado.
Só então Pung soube. As pontas dos dedos podiam mentir, e a ponta da espada também podia ocultar seu curso.
Mas não era possível enganar, num só instante, todo o caminho que vai do lugar onde a força nasce até seu destino.
Para mudar a espada, o corpo precisava antes receber essa mudança, e, por menor que fosse o movimento, a energia abria o caminho antes dele. A pergunta nebulosa do dia anterior enfim se tornou uma resposta.
A espada de Namgung Hwi dobrou, e só então Pung, em vez de esquivar, entrou para dentro.
Mas Namgung Hwi tampouco parou. Ao ver que Pung percebera o começo da mudança, soltou a força do punho e deixou a lâmina cair para baixo, e, girando a bacia de volta, empurrou o peito de Pung com o cabo. Descartou até a mudança que preparara de início e criou um golpe novo.
Pung escoou o cabo com o antebraço, e um impacto surdo ressoou nos ossos, e no intervalo em que foi empurrado meio passo a espada de Namgung Hwi reviveu. Desta vez a energia que brotou do dantian pareceu dividir-se em dois ramos, e o fluxo que ia ao ombro e o que restava abaixo da cintura anunciavam ataques diferentes.
Qual deles era o verdadeiro não estava decidido.
Pung engoliu um fôlego curto: ter passado a ver a origem não fazia todas as respostas se revelarem por si. Namgung Hwi podia levar um fluxo até o fim ou abandoná-lo no meio e escolher o outro, e o que escolheria continuava sendo decisão de uma pessoa, e o que Pung podia ver ia só até o instante em que a escolha se tornava possível.
A espada caiu de cima.
Pung poderia penetrar pela esquerda, mas então a gola com o livro ficaria perto da lâmina, e à direita estava a borda do tablado, e se recuasse Namgung Hwi retomaria o domínio do intervalo. Não havia tempo para hesitar.
Pung escolheu a direita.
O calcanhar prendeu na ponta do tablado e um suspiro irrompeu das arquibancadas, e Namgung Hwi, como se previsse aquele caminho, brandiu a espada em grande arco. Era um golpe pesado o bastante para abalar o equilíbrio só com o vento da lâmina; esquivar era cair para fora do tablado, bloquear era ficar preso ao movimento seguinte.
Pung não esquivou.
Pouco antes de a espada o alcançar, baixou o corpo e avançou um pé na direção de Namgung Hwi; em vez de escapar da ponta, entrou para dentro da espada, o lugar mais perigoso. Quando o fio roçou acima de sua cabeça, alguns fios de cabelo se romperam e voaram, e Namgung Hwi recolheu a espada de imediato e mirou a têmpora de Pung com o cotovelo.
Aos olhos de Pung, antes daquele movimento, apareceu a energia que subia do dantian ao ombro.
Ele baixou a cabeça, escoou o cotovelo e então apoiou a mão no punho de Namgung Hwi. Sem agarrar pela força, empurrou de viés a direção em que a energia escoaria, e o braço que recolhia a espada desviou meia polegada do seu caminho original. Namgung Hwi virou o punho no ato e sacudiu a mão de Pung, mas Pung já entrava mais para dentro montado naquela força.
A mão esquerda de Namgung Hwi mirou o peito de Pung, e Pung recebeu-a com o ombro e estendeu a palma, e os corpos dos dois se aproximaram a ponto de quase se tocarem. Nessa distância a espada longa era desvantajosa, mas Namgung Hwi não a largou, e, ao contrário, girou a extremidade do cabo tentando cravá-la no flanco de Pung.
Pung não conseguiu esquivar aquilo por completo, e o cabo roçou-lhe o flanco espalhando uma dor densa, mas recuar naquele instante seria voltar a ficar preso na distância da espada. Cerrando os dentes, moveu-se como que fluindo ao longo do braço de Namgung Hwi e ergueu as pontas dos dedos diante de seu peito.
Ao mesmo tempo, o cabo de Namgung Hwi parou diante das costelas de Pung.
Nenhum dos dois se moveu.
Entre o cabo de Namgung Hwi e o corpo de Pung restava um intervalo de umas duas falanges, ao passo que as pontas dos dedos de Pung, prestes a tocar o peito de Namgung Hwi, detiveram-se a menos de uma polegada. Era uma distância em que, se um deles tivesse estendido a força primeiro, a disputa já estaria decidida.
O árbitro inspirou e ergueu a mão.
— Parem! Vitória de Danpung!
O campo de treinamento estremeceu com força. Alguns se levantaram e gritaram; outros, como se não tivessem entendido o que acabara de acontecer, perguntavam sem parar ao vizinho. Pung ouviu aquele som com atraso e recolheu lentamente a mão, e o flanco latejava e as pernas tremiam como se fossem perder a força, mas afinal ele não fora empurrado para fora do tablado.
Namgung Hwi olhou por um tempo o próprio punho, e depois de pressionar com o polegar o ponto onde Pung apoiara a mão, recolheu a espada por completo e perguntou:
— O que foi que você viu no final?
Pung respondeu regulando a respiração.
— Antes de a espada se mover, aquilo que faz a espada se mover.
— Olhou meu ombro?
— No começo pensei assim. Mas, se tivesse olhado só o ombro, teria sido pego pela segunda mudança.
O olhar de Namgung Hwi tornou-se afiado.
Pung hesitou um instante sobre até onde deveria contar do que compreendera. Não podia revelar a natureza da visão dos meridianos, e tampouco esquecia que Namgung Hwi, antes do duelo, expusera a própria observação e com isso criara um perigo real. Só que também não queria cobrir com mentira a disputa recém-travada.
— Tentei ver a força que começa no dantian e segue pela cintura, o ombro e o punho. Não vi tudo. E no final também não sabia qual lado ele escolheria.
— Foi por isso que foi até a ponta do tablado.
— Era o único caminho. Se eu tivesse errado, teria caído.
Namgung Hwi olhou alternadamente a aba cortada de Pung e a borda do tablado, e pouco depois escapou-lhe da boca um fôlego curto, difícil de distinguir se riso ou suspiro.
— Quer dizer que não leu toda a minha espada: apostou o corpo no instante em que podia ler.
— Sim.
— E mesmo assim venceu.
Namgung Hwi fechou os olhos e tornou a abri-los, e no rosto restava o amargor da derrota, mas não se via o desprezo frio do primeiro encontro.
— Perdi.
Quando aquela única palavra caiu, o alvoroço do campo cresceu de novo, e Namgung Hwi, sem olhar em volta, saudou Pung de mãos postas.
— Não darei desculpas pela derrota de hoje. Mas da próxima vez trarei tantas espadas que, mesmo vendo o início da força, você não conseguirá escolher.
Pung retribuiu a saudação.
— Nessa hora eu também verei melhor do que hoje.
— Essa resposta não me agrada. Vai ficar mais difícil para mim.
Desta vez um riso nítido passou pelo canto da boca de Namgung Hwi, muito tênue, mas Pung não o deixou escapar.
Assim que desceu do tablado, Ayeong foi a primeira a correr até ele, e Ayeong endureceu o rosto ao ver a aba rasgada e só depois de confirmar que não havia sangue é que soltou um longo suspiro.
— Onde se machucou?
— Bati um pouco o flanco.
— Se é pouco ou não, só sei depois de ver. Você é do tipo que diz que só trincou mesmo com o osso quebrado.
Ayeong repreendeu-o, mas examinou primeiro a gola esquerda e, depois de confirmar que o pedaço do livro não estava à mostra, sobrepôs e apertou a parte rasgada, e só então seu olhar se abrandou. Makdong, ao lado dos dois, agitava as mãos sem parar fingindo barrar os olhares em volta, mas a boca não descansou um instante.
— Quando ele foi encurralado na ponta, achei mesmo que ia cair. Já tinha reescrito metade da história que vou deixar na Seita dos Mendigos. E de repente ele entra para dentro!
Hyeonheo esperava por Pung um pouco afastado, e quando Pung se aproximou, Hyeonheo examinou-lhe os olhos antes do flanco.
— Encontrou?
— Sim. O que senti ontem não estava fora da espada. Vinha se ligando dentro do corpo desde antes de a espada sair.
Hyeonheo ficou um instante calado, e embora Pung não esperasse elogio, cerrou e abriu os dedos sem necessidade. O olhar de Hyeonheo passou por aquelas mãos, foi até Namgung Hwi sobre o tablado e voltou.
— O que você ganhou hoje não foi uma resposta. Foi saber o que se deve olhar. As duas coisas são muito diferentes.
Pung lembrou-se do instante em que Namgung Hwi abandonara a mudança no meio e criara um golpe novo: mesmo tendo lido a origem, não pudera saber a escolha final. Se tivesse se atrasado uma vez mais ou escolhido outro caminho, o vencedor teria sido outro.
— Não esquecerei.
— E, tanto quanto você viu, muitos também viram você.
Às palavras de Hyeonheo, Pung olhou para as arquibancadas, e Jegal Soso, com o leque fechado encostado no queixo, examinava alternadamente a borda do tablado e as pegadas de Pung. Era um olhar que parecia medir a posição em que Namgung Hwi e Pung haviam parado no final. Um pouco afastados, alguns participantes e anciãos conversavam em voz baixa, e Songjin percorria com os olhos os assentos mais atrás deles.
Entre eles, um ancião astuto, no lugar mais alto, olhava para Pung.
No instante em que os olhares se cruzaram, Pung sentiu um frio roçar-lhe a nuca, e não era igual ao veneno que sentira no subterrâneo de Nohachon, mas tinha uma têmpera de algum modo parecida. Antes que Pung reunisse energia nos olhos, o ancião virou a cabeça para a pessoa ao lado, e no rosto não restava emoção alguma.
— Mestre, quem é aquele?
Hyeonheo não respondeu de imediato.
— Por ora, não olhe por muito tempo.
Foi um aviso breve, e Pung recolheu o olhar em vez de perguntar mais, mas não conseguiu apagar o frio que restava em suas costas. O que revelara hoje não fora nem o poder do anel dourado nem toda a arte suprema de Hyeonheo, e ainda assim os olhos voltados para ele eram nitidamente mais numerosos que na véspera.
Nesse momento Namgung Hwi desceu do tablado e passou ao lado de Pung, e parou alguns passos à frente e, sem se virar, disse:
— Não perca à toa no próximo duelo. Seria desagradável ouvirem que quem me venceu teve sorte.
Ayeong estreitou os olhos.
— Que jeito grandioso de torcer.
— Não é torcida.
— Então o que é?
Namgung Hwi não respondeu; apenas inclinou uma vez a cabeça na direção de Pung e caminhou até os jovens da casa que o aguardavam. Pung ficou olhando as costas brancas se afastarem e sorriu sem perceber.
Mais do que ter vencido um adversário arrogante, veio-lhe o pensamento de que ganhara um amigo que voltaria a procurá-lo, da próxima vez com uma espada melhor.
Agora, diante de Pung, restavam apenas os últimos quatro.
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