O Deus do Aço, o Ferreiro Kang Mujin

Capítulo 24 — Aqueles que Serão o Escudo

A primeira coisa que Kang Mujin ouviu ao voltar ao Baluarte de Aço não foi o som do martelo.

— Mantenham a linha! Fileira da frente, escudos erguidos!

O grito de Rakan atravessou a muralha baixa.

O campo de treino tinha sido recém-aberto no terreno vazio ao sul da forja. Linhas retas de pó de cal haviam sido traçadas sobre o chão de terra e, dentro delas, uns trinta membros classificados como equipe de combate imediato enfileiravam-se em três colunas. Como havia humanos e bestiais, anões e semi-humanos misturados, as alturas e o comprimento dos braços variavam, e quando todos receberam escudos de mesmo tamanho, as diferenças ficaram ainda mais nítidas.

No semi-humano de chifres de cabra, à direita da fileira da frente, a borda superior do escudo cobria-lhe os olhos; já o bestial-urso tinha ombros largos demais para proteger o corpo com um único escudo padrão.

— Lanças!

As hastes da segunda fileira ergueram-se todas de uma vez.

Dizer todas de uma vez era um pouco exagerado: duas se atrasaram e uma bateu no escudo da frente, fazendo madeira e ferro ressoarem com estrépito.

Rakan ergueu a mão.

— Parados assim.

O jovem humano que se atrasara enrijeceu ao tentar baixar a lança, e Rakan caminhou até ele para examinar a posição da haste.

— Por que se atrasou?

— Eu não conseguia ver à frente.

— Então o que você viu?

— Como?

Rakan bateu de leve com a ponta do pé no pé do rapaz.

— O calcanhar de quem está à sua frente. O ombro de quem está ao seu lado. A bandeira de comando. Há três coisas para olhar. Não estique o pescoço para ver o rosto do inimigo.

Ele abaixou o corpo atrás do escudo e pegou ele mesmo a haste; a lâmina da lança avançou pela fresta de um punho de largura entre um escudo e outro da primeira fileira.

— O que você perfura não é o inimigo. É esta linha. Faça o inimigo vir para cima dela.

Rakan devolveu a lança.

— De novo.

A formação voltou à posição inicial.

Kang Mujin ficou à margem do campo de treino observando a cena, e aquilo era diferente da milícia de antes de partir para a floresta. Naquela época, eram pessoas que tinham armas; agora, estavam aprendendo a preencher as brechas umas das outras.

Rakan farejou o ar e virou a cabeça.

— Chegou?

— Cheguei.

— E a floresta?

— As conversas começaram.

As orelhas de Rakan baixaram um pouco para trás e logo voltaram ao lugar.

— Então a gente cuida do que é nosso.

Ele se voltou de novo para a formação.

— Mantenham a linha! Vinte passos à frente!

A parede de escudos se moveu.

Os primeiros cinco passos foram razoáveis, mas no sexto as passadas se desencontraram: enquanto o anão de pernas curtas ficava para trás, o bestial-lobo de temperamento impaciente avançou meio passo, e uma brecha se abriu entre os escudos. Rakan interrompeu a formação na hora.

— Quem foi rápido demais?

O bestial-lobo mostrou os dentes.

— Fui eu.

— E quem foi lento?

O anão alisou a barba.

— Não sou eu que sou lento; é aquele aí que tem pernas compridas à toa.

Alguns riram, mas Rakan não riu.

— No campo de batalha, as duas coisas querem dizer o mesmo. Que se abriu uma brecha.

Ele traçou uma linha diante dos pés do bestial-lobo e outra diante dos pés do anão.

— O rápido desacelera. O lento decora a passada. Ser rápido sozinho só entrega o próprio flanco.

O bestial-lobo torceu os lábios.

— A gente espera mesmo com o inimigo bem na frente?

Rakan sacou da cintura uma espada de madeira e lançou-a para ele.

— Venha.

A formação agitou-se.

O bestial-lobo apanhou a espada de madeira e deu um passo à frente; tinha ombros firmes e movimentos rápidos. Kang Mujin lembrava-se de que ele viera das terras de fronteira, caçador de origem, e que desde a formação da primeira milícia saíra várias vezes no rastreio dos grupos de assalto.

Rakan pegou apenas um escudo.

— Se me derrubar, o treino de hoje acaba aqui.

Assim que o bestial-lobo abaixou o corpo, atacou de imediato, e a espada de madeira roçou a borda do escudo mirando o pescoço de Rakan.

Rakan não se desviou.

Empurrando o escudo meio palmo para desviar a trajetória da lâmina, avançou um passo; a parte superior do escudo pressionou o ombro do bestial-lobo e lhe desfez o equilíbrio, e então o pé de Rakan enganchou atrás do tornozelo do oponente.

Foram dois movimentos.

O bestial-lobo bateu as costas no chão.

Rakan olhou para baixo e disse:

— Você é rápido.

Estendeu a mão.

— Por isso é bom para morrer sozinho.

O bestial-lobo olhou aquela mão por um instante, agarrou-a e se levantou.

— Vamos de novo.

— Primeiro a formação.

Rakan devolveu o escudo e caminhou até a frente da linha.

— Isto não é um treino para escolher o mais forte. É um treino para não deixar morrer quem está ao seu lado. As raças são diferentes, as alturas, a força. Então se ajustem. Se não conseguirem, repetimos até conseguir.

Kang Mujin ouviu na voz de Rakan um tom diferente do de antes.

Quando o resgatara da mina, Rakan estava acostumado a movimentos que salvavam apenas o próprio corpo. Depois de começar a acompanhá-lo, aprendera a se colocar à frente dos outros; agora, observava os pés de trinta pessoas ao mesmo tempo.

Não era assim tão diferente de lidar com o ferro.

Se ferros de natureza diferente fossem aquecidos à mesma temperatura, um dos lados se estragava sem falta. Com teores de carbono distintos, o momento de tirá-los do fogo também tinha de ser distinto; ainda assim, as medidas da peça acabada não podiam variar. Devia ajustar-se à mão de quem usava, mas, quando postas lado a lado, todas tinham de cumprir o mesmo papel.

Kang Mujin estendeu a mão na direção das armas empilhadas num canto do campo de treino.

O sentido da bênção percorreu o ferro.

Trinta e seis pontas de lança, vinte e duas espadas, dezenove elmos de ferro, quarenta e uma bordas de escudo. Eram peças já inspecionadas na forja, mas o estado delas mudara com o treino. Em três pontas de lança, o interior do soquete afrouxara; numa espada havia uma fadiga mínima acumulada na junção entre a lâmina e a espiga; e em duas bordas de escudo os pregos estavam meio soltos.

Quando ele dobrou os dedos, as armas com problema ressoaram baixinho.

Tlin.

Do meio da formação, uma lança foi puxada para o lado, e em seguida uma espada e um escudo escaparam das mãos de seus donos e foram pousados na beira do terreno. Os membros, surpresos, fecharam as mãos vazias.

— Vou refazer estas.

Disse Kang Mujin.

Rakan contou as lacunas abertas.

— Não dá para treinar sem arma.

— Há peças reserva na segunda prateleira do arsenal.

— Todas do mesmo padrão?

— As lanças, sim. As espadas têm cabos de espessuras diferentes.

— Por quê?

Kang Mujin olhou as mãos dentro da formação: dedos grossos e unhas compridas, mãos com restos de membrana e palmas inteiramente cobertas de pelo, tudo misturado.

— Porque as mãos são diferentes.

Rakan soltou um breve bufo.

— Na formação manda todo mundo se ajustar, mas as armas você ajusta a eles.

— Só se ajusta na linha quem consegue usar o que lhe serve.

— Nisso você tem razão.

Rakan apontou três dos membros.

— Tragam as reservas. Correndo.

Os três dispararam para o arsenal.

Kang Mujin apanhou a espada defeituosa; o tratamento térmico estava correto, mas o canto do ombro da espiga era angular demais. O impacto repetido se concentrava ali — um defeito que não aparecera no momento de acabar a peça.

Era uma sorte que tivesse aparecido antes do combate real.

Quando esfregou o ponto com o polegar, sentiu a fibra do ferro se abrindo em fios finíssimos por dentro da ponta dos dedos.

— O treino ficou mais bruto?

— De hoje em diante entrou o choque de parede de escudos.

— Entendo.

— Não fique bravo porque quebrou. Foi a arma que quebrou no lugar de uma pessoa.

— Quebrou bem.

Rakan virou-se para Kang Mujin.

— Você também diz essas coisas.

— O que tem de quebrar deve quebrar perto da fornalha.

Kang Mujin pôs a espada de lado e concluiu que precisaria reexaminar todas as espadas feitas do mesmo modo; havia grande chance de o defeito de uma não terminar nela. A padronização era a maneira de produzir depressa e, ao mesmo tempo, de multiplicar depressa o mesmo erro.

Nisso, Rosen apareceu na entrada do campo de treino com um livro grosso debaixo do braço, seguido por dois escrivães carregando tinteiros e tabuletas de madeira.

— Ótimo, estão todos aqui.

Rakan franziu a cara.

— De novo escrever nome?

— A etapa de só escrever o nome acabou.

Rosen abriu o livro sobre a mesa comprida montada ao lado do campo. Os cento e quarenta e dois inscritos no registro da milícia e dos serviços do Baluarte de Aço estavam divididos por função, e junto de cada nome havia colunas cerradas para anotar unidade e equipamento.

— Registramos unidade, especialidade, equipamento entregue, nível de treino, turno, dependentes e histórico de ferimentos.

— Para que serve dependente na hora de lutar?

— Para que, enquanto o soldado está sobre a muralha, não falte comida à família dele.

Rakan calou-se.

Quando Rosen virou a página seguinte, linhas pretas e vermelhas corriam ao lado dos nomes.

— O total de moradores é de duzentos e dois. Destes, cento e quarenta e dois estão inscritos na milícia e nos serviços, aptos a turnos; a equipe de combate regular, pronta para lutar de imediato, tem trinta e oito, e a reserva em treinamento, vinte e três. Os outros oitenta e um dividem-se entre turnos de vigia, transporte, engenharia e cozinha. As crianças, os cuidadores em dedicação exclusiva e os que se recuperam no leito — sessenta pessoas — são administrados num registro de moradores à parte, como beneficiários de ração e proteção.

Ele foi descendo o dedo por cada item.

— Temos apenas doze arqueiros, e destes só cinco conseguem tiro de longa distância. A vigia noturna gira em três turnos, misturando a equipe de combate com o pessoal de guarda, mas a torre norte fica vazia duas horas todos os dias.

— Não fica vazia.

— Porque sir Rakan sobe lá no lugar deles.

— E não resolve?

— Se o comandante guarda a torre toda noite, o julgamento dele no treino do dia fica turvo. Vigor não se abastece pela logística.

A cauda de Rakan chicoteou uma vez com força.

— Corta esse ‘sir’.

— Não posso. Porque de agora em diante a milícia não é um grupo movido pela boa vontade de alguém.

Rosen ergueu uma tabuleta de madeira com nome e número gravados na frente e a unidade de destino no verso.

— O material entregue é controlado por este número. Recebeu uma lança, registra-se; quebrou, devolve-se. A comida é repartida do mesmo modo. Ninguém vai comer mais por ter lutado mais, nem receber menos por ter chegado depois.

Um bestial-urso levantou a mão na formação.

— A nossa raça come o dobro dos humanos.

— Eu sei.

Rosen abriu outro livro.

— Estabeleci rações de referência por raça. Repartir de forma uniforme não é o mesmo que repartir com justiça. Em compensação, dentro de uma mesma raça todos recebem a mesma quantidade.

Um membro humano lá atrás perguntou:

— Então a nossa parte não diminui?

— Não. Primeiro calculamos o total necessário. Se faltar, em vez de encurtar as porções, é preciso conseguir mais. Esse é o meu trabalho.

A resposta de Rosen era suave, mas sem frestas.

Kang Mujin baixou os olhos para os números no livro; o ferro ele conseguia contar pelo sentido — onde estava, quanto havia, o quanto se gastara, tudo isso sabia de olhos fechados. Mas as circunstâncias das pessoas não eram assim. Quem subia à torre todas as noites no lugar de outro, quantas bocas havia em cada casa, quem não largava a lança mesmo depois de ferido: tudo isso estava escrito naquele livro.

Tampouco a muralha se sustentava só com os trinta e oito da equipe de combate. Se faltassem as mãos que carregam flechas e comida, as que compactam o caminho desmoronado, as que guardam o caldeirão fervendo, quem empunhava a lança também não aguentaria muito.

Uma muralha não se ergue só de pedra.

— O que se recebe em troca de constar no registro?

Perguntou Kang Mujin.

Rosen ergueu os olhos do livro.

— Antes de tudo, ração e equipamento compatíveis com a função. Para a equipe de combate e a reserva, garantimos prioridade de tratamento em caso de ferimento e, em caso de morte, a mesma ração aos dependentes por uma estação. Pretendo aplicar o mesmo critério a quem morrer ou se ferir gravemente em vigia ou transporte.

— E depois de uma estação?

— Com as reservas atuais, é difícil garantir mais do que isso.

Kang Mujin olhou a chaminé da forja e, além dela, o telhado baixo do celeiro. As armas aumentavam, mas o grão não podia ser refundido como o ferro.

— Estabeleça duas estações.

As sobrancelhas de Rosen se moveram um pouco.

— Fazendo isso, a reserva de inverno pode ficar em risco.

— Vou priorizar o conserto das ferramentas agrícolas dos arredores. E aumentar a produção de arados e enxadas para desbravar terra.

— A produção de armas vai cair.

— Vou destinar uma fornalha exclusivamente a utensílios do dia a dia. Aisha e os aprendizes podem assumir.

Rosen não respondeu de imediato; escreveu algumas linhas nos espaços em branco do livro, calculando.

— É viável. Só que será preciso reajustar a distribuição de carvão.

— Falarei com Doria.

Rakan cruzou os braços.

— Definir o que vão comer depois que a gente morrer lutando tira o medo?

Kang Mujin olhou a formação; alguns olhavam o livro de Rosen, outros olhavam Rakan.

— O medo não desaparece.

Ele disse.

— Mas dá para fazer com que olhem menos para trás.

A mão de Rakan roçou distraidamente o próprio pulso; sob a manga permanecia a cicatriz da marca de escravo, mas ele logo baixou a mão e se voltou para os seus.

— Ouviram? Pôr o nome ali não faz de vocês soldados. Em troca, quem põe o nome também não luta sozinho.

Rakan bateu com a espada de madeira na linha do chão.

— De hoje em diante, a equipe de combate se divide em grupos de cerca de dez. A reserva também se junta à equipe de combate regular e aprende os mesmos sinais. Nada de se amontoar por raça. A lacuna de um é preenchida pelo próprio grupo. Se alguém fugir, o grupo inteiro vai atrás.

Alguém perguntou baixinho:

— Para capturar e punir?

Rakan olhou naquela direção.

— Para trazer de volta vivo.

— E se fugir de novo?

— Traz de novo.

— E se continuar fugindo?

— Continua.

Rakan pôs a espada de madeira sobre o ombro.

— Ser arrastado pelo inimigo e fugir por vontade própria são coisas diferentes, mas nos dois casos é gente nossa que precisa ser recuperada. A punição vem depois de voltar vivo.

Houve um breve silêncio, mas Kang Mujin não acrescentou nada. Era uma disciplina definida por Rakan. Quem estivera acorrentado na mina agora erguia uma lei militar que não acorrentava os outros.

Rakan tirou do pilar do campo de treino um grilhão partido que pendia ali como troféu e o pousou ao lado do livro.

— Isto não existe na nossa lei militar.

No fundo da formação, os que escondiam as cicatrizes da nuca foram erguendo a cabeça, um a um.

— Quem fugiu, recuperamos; quem deu a ordem, deixa o nome. Não vou criar um exército em que só o soldado responde.

Rosen abriu a primeira página do livro e a empurrou até a ponta da mesa.

— É preciso a assinatura do comandante.

Rakan encarou a pena com raiva.

— Você sabe que eu não sei escrever.

— Agora precisa aprender.

— Saber segurar a espada basta.

— É preciso deixar registrado quem deu a ordem. Só assim é possível cobrar a responsabilidade por uma ordem errada.

As orelhas de Rakan se puseram de pé.

— Responsabilidade?

— O soldado inscreve o nome; não dá para só o comandante não deixar o dele.

Rakan olhou Rosen por um tempo e então agarrou a pena quase arrancando-a; a tinta sujou-lhe os dedos.

— Onde é que eu escrevo.

Rosen apontou o espaço em branco.

Rakan traçou os riscos com a ponta da língua um pouco de fora; a primeira letra saiu grande demais, a segunda invadiu a coluna ao lado e, no último traço, o papel rasgou um pouco.

Rakan.

Torto, mas legível.

Rakan pousou a pena.

— Serve?

— Para uma primeira assinatura, basta.

— Duas vezes eu não faço.

— Amanhã terá de assinar também a ordem de distribuição.

— Droga.

A formação explodiu em risadas, e desta vez Rakan não as conteve; mostrou os dentes e correu os olhos pelos seus.

— Se ainda sobra fôlego para rir, levantem os escudos.

Quando voltaram os que tinham ido buscar as armas reserva, Rakan ergueu o sinal de formação com a mão ainda suja de tinta fresca.

— Avançar!

Trinta e oito escudos se ergueram, pela primeira vez, no mesmo instante. As pernas curtas aceleraram e as compridas encurtaram a passada, e as pessoas que se empurravam umas às outras cada vez que fugiam da mina agora preenchiam primeiro a brecha do vizinho. A formação oscilou duas vezes, mas não desmoronou.

Sob a assinatura torta de Rakan, a lei militar virou movimento real.

Ao anoitecer, ficaram definidas as alocações da equipe de combate regular, da reserva e do pessoal de vigia, transporte e engenharia. Quem não sabia escrever deixou a marca da palma da mão; riscos de garras e vestígios de três dedos também entraram no mesmo livro. Rosen passou aos escrivães a tabela detalhada de rações e a numeração das armas.

— Que seja assim. E há mais uma coisa a discutir.

Rosen dispensou primeiro os escrivães. Só depois que Rakan foi arrumar os escudos e tudo ao redor ficou quieto, ele tirou uma fina pasta de couro que trazia sob o braço.

Dentro havia o desenho da estrada que ligava o Baluarte de Aço à fronteira oeste, e na ponta dela estava impresso um brasão de coroa.

— Pretendo ir ao Reino de Ledan.

Kang Mujin baixou os olhos para o mapa.

— Para pedir apoio?

— Tropas, mantimentos, remédios. Precisamos trazer o que for. Com os números atuais, detemos a vanguarda, mas não o grosso do exército.

Rosen apontou com o dedo a capital sobre o mapa.

— O problema é o que eles verão em nós. Uma aldeia, uma companhia mercenária, ou um bando armado que tomou a fronteira por conta própria.

— Quem nós somos, as pessoas daqui sabem.

— Na diplomacia, também importa o nome que os outros nos dão.

O vento virou o canto do livro e, por um instante, apareceram os cento e quarenta e dois nomes do registro de serviço e, abaixo, o registro de moradores — duzentos e dois nomes e marcas ao todo — antes de a página tornar a cobri-los.

No campo de treino, Rakan pendurava o último escudo no suporte de armas; na forja, Aisha organizava as brasas da noite junto com os aprendizes. Sobre a muralha, guardas de raças diferentes trocavam de turno.

Muita coisa já estava tomando forma.

Mas ainda não havia um nome que chamasse tudo aquilo numa palavra só.

Rosen estendeu o documento que vinha à frente da pasta; sob o pedido de apoio, havia um espaço vazio para o selo do representante do baluarte.

— Eles vão perguntar isto antes de tudo.

Ele disse.

— Em nome de que país, afinal, o Baluarte de Aço vem pedir ajuda.

Kang Mujin contemplou longamente o espaço vazio do selo.

Ali não havia brasão a gravar, nem coroa a exibir.

Fim do capítulo 24

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