Os quinze dias passaram depressa.
Depois que, por intermédio de Songjin, se instalaram numa pequena estalagem a leste da cidade, Pung circulava o qi no quintal dos fundos junto de Hyeonheo antes que o sol nascesse, e de dia percorria as ruas com Ayeong. Makdong ia e vinha pela rede de contatos do Clã dos Mendigos, juntando notícias sobre o Heuksubang, mas até então não chegara nem aviso urgente de que os dois armazéns tivessem sido esvaziados, nem recado de que os cativos houvessem sido transferidos.
Quanto mais a espera se estendia, mais pesava no coração de Pung o livro trazido de Nohachon. Os dois volumes do livro, a placa de madeira com o desenho do lobo negro e o frasco de veneno estavam escondidos, separados, em lugares discretos preparados por Songjin; mas o fato de a prova estar segura não tornava segura também a verdade. Enquanto não soubesse quem, dentro da Aliança Marcial, protegia Dokgo, bastaria que a existência do livro caísse em mãos erradas para que as testemunhas sobreviventes fossem as primeiras a correr perigo.
Ainda mais porque o que Makdong dizia ter ouvido no Heuksubang batia exatamente com uma linha cifrada do livro.
‘Dia seis, três carroças de Heuksu. Passar pelo portão norte e entregar ao Grou Branco.’
No livro, Grou Branco era uma inscrição da qual não se podia sequer dizer se era nome de pessoa ou designação de uma seita; apenas, segundo Makdong, os homens do Heuksubang falavam do ‘dia em que o grou desce’ toda vez que entregavam gente. As datas e o número de pessoas eram nítidos demais para se atribuir a coincidência.
— O original fica com Songjin.
Na noite que antecedia em três dias o torneio, Hyeonheo disse isso enquanto dobrava a cópia do livro que estendera sob a luz do candeeiro.
— Nós entraremos na Aliança levando apenas esta parte. É preciso observar quem reage às palavras ‘Grou Branco’.
Pung recebeu a folha fina: nela estavam copiados somente as datas dos que haviam desaparecido em Nohachon, os registros de transporte para o norte e a cifra que coincidia com as palavras do Heuksubang. Não passava de uma única folha de papel, mas, ao pensar que por causa dela alguém podia morrer, as pontas dos dedos formigaram.
— Não podemos mostrá-lo logo a alguém de confiança?
— E como saber se aquele que julgamos confiável é de fato confiável?
A resposta de Hyeonheo foi curta, e Pung não conseguiu perguntar mais. Se até Hyeonheo, que fora ancião da Aliança Marcial, precisava escolher em quem confiar, ele próprio não devia julgar ninguém pelo modo de falar ou pelas roupas.
— É por isso que o torneio é necessário, não é?
Disse Ayeong, enfiando a cópia do livro por dentro da gola interna da roupa de Pung e selando-a com um fio fino; a cada ida e vinda da agulha, o papel sumia sem deixar rastro.
— Dizem que os participantes podem circular pela arena e por parte do pátio interior, e que, se o desempenho for bom, os próprios anciãos chamam a pessoa. Dá para ver quem nos observa e quem anda contando coisas demais lá para dentro.
— Isso mesmo. Ganhar nome não é o objetivo. O nome é apenas a chave que faz a porta se abrir.
Hyeonheo fitou Pung com serenidade.
— Mas não atravesses a porta a passos largos só porque ela se abriu. Quando não se sabe se o que espera do lado de dentro é uma recepção ou uma lâmina, examina-se primeiro a soleira.
Pung apertou com a palma o papel escondido sob a gola; o anel dourado e o anel prateado não haviam dado sinal algum nos últimos quinze dias. Pareciam ter caído em sono profundo depois de engolir os caracteres da câmara de pedra, mas Pung até gostava daquele silêncio: desta vez precisava encontrar o caminho com os próprios olhos e o próprio juízo, e não com os anéis.
A cidade ficava visivelmente mais cheia à medida que o torneio se aproximava. Carruagens com as bandeiras das seitas entupiam a avenida, em toda estalagem os quartos vagos desapareceram, e diante das lojas de armas jovens praticantes erguiam a voz escolhendo espadas e sabres novos. Era um esplendor que nem se podia comparar aos mercados da fronteira, mas Pung já não ficava embasbacado como nos primeiros dias. Via antes a respiração escondida sob as vestes marciais de seda, a mão que cobria naturalmente o punho da arma quando se cruzavam, o olhar que disputava lugar mesmo entre os da mesma seita.
Ao lado de um Pung assim, Makdong não parava a boca.
— Aquele desenho de flor de ameixa é da Seita Hwasan. Dizem que veio um sujeito e tanto entre os Espadachins da Flor de Ameixa desta vez. Aquele manto branco ali é da Casa Namgung; a moça do leque é Jegal Soso, da Casa Jegal. E da Casa Dang de Sacheon vieram três jovens talentos versados em venenos e armas ocultas.
— Como você sabe de tudo isso?
— Um discípulo do Clã dos Mendigos até pode passar fome de arroz, mas de boato é que não pode!
Makdong riu, esfregando a base do nariz. No instante seguinte, porém, baixou a voz e apontou com o queixo a casa de chá do outro lado da avenida; à janela, dois guerreiros da Aliança Marcial sentados examinavam os participantes que passavam.
— E não são só aqueles ali que observam. Dizem que entra relatório lá dentro sobre em que estalagem se hospeda quem pretende competir e com quem se encontra. O amigo se registrou com a recomendação do venerável Songjin, então vai chamar ainda mais atenção.
Pung seguiu caminho sem cruzar o olhar com os guerreiros; mais do que o fato de estar sendo vigiado, o que lhe pesava era não saber quem recebia aqueles relatórios. Se Dokgo estivesse vivo, talvez já lhe tivesse chegado a notícia de que o grupo de Pung rumara para a Aliança Marcial.
— Então temos de ficar escondidos na estalagem?
Quando Ayeong perguntou, Makdong balançou a cabeça.
— Quem se esconde fica suspeito justamente por se esconder. O mais natural é que quem vai competir assista ao torneio, dê uma volta pelas lojas de armas e coma um macarrão.
— O macarrão é você que quer comer.
— Ora, para juntar informação é preciso ter a barriga cheia primeiro, não é mesmo?
Ayeong soltou uma risada e Pung também relaxou os cantos da boca; desde que deixaram Nohachon não tinham sido muitas as ocasiões de rir à vontade, e aquela pequena discussão foi bem-vinda. Só que o toque do papel dentro da gola não se esquecia um instante sequer.
Na manhã da véspera do torneio, ao entrar no pátio exterior da Aliança Marcial para receber a placa de participante, Pung enfrentou de perto, pela primeira vez, a imponência do quartel-general. Além dos muros altos erguiam-se pavilhões em camadas, e sobre as telhas negras as bandeiras das seitas ortodoxas tremulavam ao vento; da arena central, o som de espadas de madeira se chocando e os gritos de esforço vinham como ondas.
Na fila de registro já havia dezenas de pessoas. Os que traziam cartas de recomendação de suas seitas entravam depressa, mas os jovens de escolas de fronteira ou de linhagens sem nome tinham a origem de suas artes e sua identidade conferidas repetidas vezes. Quando chegou a vez de Pung, o administrador atrás da mesa abriu a carta de recomendação de Songjin e ficou um bom tempo examinando o selo.
— Danpung. Qual é a tua escola?
— Sou discípulo de Hyeonheo.
O ruído em volta pareceu afinar por um momento; a ponta do pincel do administrador parou no ar, e o guerreiro da Aliança Marcial sentado ao lado examinou Pung de novo, de alto a baixo.
— Hyeonheo, dizes…
O administrador engoliu o resto da frase; só por aquela reação Pung pôde perceber que peso tinha ali o nome de um ancião que deixara a Aliança Marcial.
— O recomendante é o ancião Songjin. Mas não tens placa de escola que prove seres discípulo de Hyeonheo?
— Não tenho.
— Então terás de passar por um exame preliminar. Depois de confirmarmos a pureza da energia interna e as técnicas básicas, entregaremos a placa de participante.
Pung assentiu; não era algo que não tivesse previsto. A questão era quanto de suas artes mostrar. Tinha de esconder tanto os olhos que enxergam os meridianos quanto a força do anel dourado, e desdobrar por inteiro as técnicas supremas aprendidas com Hyeonheo podia equivaler a anunciar sua identidade aos inimigos dele.
Nesse instante, do fundo da fila, veio uma voz nítida.
— O exame preliminar basta?
Quando as pessoas se afastaram para os dois lados, um homem jovem de vestes marciais brancas como a neve avançou; à cintura levava uma espada longa de adornos prateados, e atrás dele vinham guerreiros com a insígnia da Casa Namgung. Era o jovem senhor da Casa Namgung, Namgung Hwi, que Makdong lhe apontara de longe.
Namgung Hwi olhou a carta de recomendação sobre a mesa antes de olhar para Pung.
— O selo do ancião Songjin parece autêntico. Mas o selo não garante quem é o recomendado. Ainda por cima, se alguém invocou levianamente o nome do ancião Hyeonheo, é assunto que toca a honra da Aliança Marcial.
O tom era cortês, mas não deixava brecha para recuar, e o administrador tampouco pôde deixar passar aquelas palavras. A Casa Namgung era uma das principais casas da Aliança Marcial, e Namgung Hwi, além de jovem talento inscrito no torneio, parecia ter recebido o direito de acompanhar o processo de registro na companhia do representante da casa.
— O jovem mestre Namgung tem sua razão. Mas como seria melhor confirmar?
Quando o administrador perguntou, o olhar de Namgung Hwi voltou-se para a trouxa de Pung.
— Se não há placa que comprove a identidade, então é preciso examinar os pertences. Correm boatos de que gente da Liga Herética se infiltrou até na cidade, de modo que convém verificar se não há objetos de procedência suspeita.
O coração de Pung bateu forte uma vez; na trouxa não havia provas, mas na gola estava a cópia do livro. Se chegassem a revistá-lo, teria de usar a força para proteger o papel — e no instante em que se armasse tal confusão, os nomes de Songjin e Hyeonheo também viriam à tona.
— Todos os participantes são conferidos da mesma maneira?
Ayeong deu meio passo à frente de Pung; a voz era serena, mas o olhar não vacilou.
Namgung Hwi voltou-se para Ayeong.
— Não há necessidade disso. Quem tem placa oficial de escola tem identidade evidente.
— Então não é a identidade que se investiga, e sim a origem. Quer dizer que quem roubou a placa de uma casa ilustre não abre a trouxa, e quem aprendeu com um mestre sem nome é revistado feito criminoso.
Entre os praticantes na fila ergueu-se um murmúrio baixo; no rosto dos que vinham de escolas pequenas surgiu o desagrado, e o administrador alisou a barba, embaraçado.
Os olhos de Namgung Hwi se estreitaram, mas a voz continuou sem se alterar.
— Torces as palavras com habilidade. Eu disse que se investigasse apenas este aqui. O nome do ancião Hyeonheo não é leve a ponto de qualquer um tomá-lo emprestado.
— Justamente por isso deve ser confirmado pelos trâmites estabelecidos pela Aliança Marcial; não cabe ao jovem mestre Namgung, que é participante, exigir que entreguem os pertences.
Ayeong não recuou um triz, e Pung, olhando o perfil dela, regulou devagar a respiração. Se ali ele barrasse a coisa pela força, só alimentaria as suspeitas de Namgung Hwi; ao contrário, se aceitasse dócil a revista, a prova poderia ser exposta.
Precisava evitar as duas coisas.
— Farei o exame preliminar.
Disse Pung.
— Em troca, se eu passar, entreguem-me a placa de participante conforme as regras estabelecidas. E, se for preciso examinar meus pertences, apliquem a mesma regra não só a mim, mas também a todos os que se registraram nas mesmas condições, e digam antes o que procuram.
O administrador olhou para Pung, e Namgung Hwi também moveu o olhar, calado.
— Se é um torneio da Aliança Marcial, imagino que as regras não mudem conforme a pessoa.
A voz de Pung não foi alta, mas cortou o murmúrio em volta e se espalhou com nitidez; o administrador hesitou um instante e tirou de baixo da mesa uma placa.
— É justo o que dizes. Não se pode realizar aqui uma revista que não consta do regulamento de registro. O exame preliminar será no campo de provas dos fundos. Se em três golpes fizeres o examinador recuar um passo, darei por aprovado.
Namgung Hwi tomou a palavra.
— Eu assumo o papel de examinador.
O rosto do administrador endureceu.
— O jovem mestre Namgung é participante. Não posso confiar-lhe o exame de outro participante.
— Nesse caso, apenas assistirei. Se é discípulo do ancião Hyeonheo, três golpes não hão de lhe faltar.
Namgung Hwi inclinou levemente a cabeça na direção de Pung; o olhar era calmo demais para ser tomado por simples arrogância. Pung sentiu que ele não apenas o menosprezava, mas sondava a razão de o nome de Hyeonheo e a recomendação de Songjin aparecerem juntos.
O campo de provas ficava ao pé do muro do pátio exterior, e o adversário de Pung era um guerreiro de meia-idade, de braços grossos, com um bastão de ferro. Quando o guerreiro ergueu sua presença, a energia interna, sólida, subiu das duas pernas para a cintura e os ombros; Pung, sem abrir por completo a visão dos meridianos, acolheu apenas o movimento difuso do qi.
O primeiro golpe voou, e o bastão de ferro estourou o ar mirando o ombro.
Pung desviou-se meio passo e empurrou a lateral do bastão com a palma; sem enfrentar a força, apenas torcendo-lhe a direção, a ponta do bastão raspou o chão de terra. O guerreiro de meia-idade girou de imediato a cintura e brandiu o bastão na horizontal, e o segundo ataque foi mais rápido e mais baixo que o primeiro.
Podia esquivar. Mas só esquivando não faria o adversário recuar.
Pung baixou o corpo tendo o pé esquerdo por eixo e mergulhou por baixo do bastão; o anel dourado apertou-lhe de leve o indicador, mas ele o conteve pela vontade. Em vez disso, encostou as pontas dos dedos no punho do guerreiro que segurava o bastão e escoou a força do choque na direção do cotovelo; a postura do guerreiro de meia-idade oscilou, mas os pés não se despregaram do chão.
Dois golpes haviam passado.
Pung acertou a respiração. A base do examinador era mais sólida do que imaginara, e esconder a força de modo desajeitado diante dos olhos de Namgung Hwi podia custar-lhe a eliminação. Tinha de fazê-lo recuar um passo sem usar o anel e sem revelar por inteiro as técnicas supremas de Hyeonheo.
O guerreiro de meia-idade lançou o bastão de ferro pela terceira vez, e desta vez havia, escondida, uma variação que fingia um avanço reto e torcia a trajetória no fim. Depois de uma hesitação de um instante, Pung não desviou do bastão: com a mão direita pressionou-lhe a ponta de raspão, apoiou a esquerda por baixo e devolveu, desenhando um círculo, a força que vinha sobre ele.
O bastão de ferro girou. O tronco do guerreiro de meia-idade foi puxado para a frente pela própria força e, quando Pung lhe empurrou o ombro de leve, ele recuou um passo.
O campo de provas silenciou.
O guerreiro de meia-idade endireitou o bastão de ferro, olhou Pung por um tempo e assentiu.
— Aprovado.
Pung soltou o ar que prendera; foram apenas três golpes, mas as palmas ardiam. Receber as variações do adversário sem ver com nitidez os meridianos não era tão fácil quanto pensara.
O administrador estendeu-lhe a placa de participante e, enquanto Pung a recebia e a prendia à cintura, Namgung Hwi examinava alternadamente as pegadas do examinador e as mãos de Pung.
— Não o fizeste recuar pela força.
— As regras não determinavam o método.
— Não, de fato. E é por isso que fica ainda mais interessante.
Namgung Hwi não zombou; ao contrário, encarou Pung com um rosto ainda mais carregado de cautela do que no início.
— Se nos encontrarmos no torneio, confirmarei eu mesmo se tua escola é verdadeira. Nessa hora não poderás terminar escondendo apenas três golpes.
— Se nos encontrarmos, não fugirei.
Os olhares dos dois se chocaram por um instante, e de perto Pung pôde sentir que a espada de Namgung Hwi não era ornamento. A energia presa dentro da bainha era uniforme como uma onda e afiada, e aqueles olhos não haviam deixado escapar um só movimento do exame de pouco antes. Antes de enfrentá-lo de verdade, era difícil supor o resultado.
Namgung Hwi virou-se sem dizer mais nada e, depois de alguns passos, parou de súbito e falou ao administrador:
— A partir de hoje, guardem em separado os registros de quem entra no pátio exterior. Se houver espiões da Liga Herética, é preciso vigiar desde o processo de registro.
Ao ouvir aquilo, Pung esforçou-se para não tocar a gola; não havia prova de que Namgung Hwi tivesse ligação com Dokgo. Talvez se preocupasse sinceramente com a segurança da Aliança Marcial, ou talvez apenas reagisse com sensibilidade ao nome de Hyeonheo. Fosse como fosse, não era alguém para ignorar e deixar passar.
Ayeong aproximou-se e perguntou em voz baixa:
— Tudo bem?
— Sim. O papel também está intacto.
— Não gostei daquela pessoa.
— Ainda não sei se é má pessoa.
Pung olhou as costas brancas que se afastavam.
— Mas que está nos observando, isso é certo.
No dia do torneio, a arena da Aliança Marcial fervia desde a madrugada com o calor da multidão. Jovens praticantes com a placa de participante à cintura enchiam as imediações dos quatro palcos de duelo, e nas arquibancadas altas tomavam assento os mais velhos de cada seita e os anciãos da Aliança Marcial. Pung percorreu aqueles rostos antes de olhar as bandeiras vistosas. Observou quem cruzava o olhar com Songjin, que expressão fazia ao ver o lugar vazio de Hyeonheo, se havia alguma pista que se ligasse à cifra ‘Grou Branco’ — mas ainda não podia ter certeza de nada.
Hyeonheo, Ayeong e Makdong estavam sentados a um canto da arquibancada comum; Hyeonheo vestia um manto cinzento que não chamava atenção, e Makdong, ao menos naquele dia, também baixou a voz. Quando Ayeong avistou Pung e ergueu o punho, ele riu de leve e assentiu.
A anciã que subiu ao tablado anunciou as regras, simples. Os pares seriam definidos por sorteio, o duelo terminaria quando um se rendesse ou saísse do palco, e golpes mortais e venenos letais estavam proibidos. Antes mesmo que a explicação se alongasse, a primeira urna do sorteio foi aberta, e os olhares dos participantes se voltaram todos para o tablado.
Os nomes foram chamados um a um: o Espadachim da Flor de Ameixa da Seita Hwasan, o jovem praticante da Casa Dang de Sacheon, Jegal Soso, Namgung Hwi. Entre aclamações e suspiros que se alternavam, Pung esperava o próprio nome.
E, enquanto esperava, ergueu em silêncio o qi até os dois olhos.
Centenas de ramificações de meridianos ondulavam sobre a arena. Havia fluxos que subiam límpidos e retos, havia energias afiadas e finas como lâminas, e havia também canais que por fora pareciam calmos, mas cuja profundidade era difícil de calcular. Não podia ler todos de uma vez; precisava primeiro julgar a quem olhar antes, o que esconder e o que aprender.
O torneio não era um lugar para ganhar nome.
Para Pung, aquele era o caminho que levava à raiz apodrecida.
Então, enfim, do alto do tablado chamaram o seu nome.
— Próximo participante, Danpung.
Pung lembrou-se uma vez do pedaço do livro escondido dentro da gola e olhou para o palco.
E da urna do sorteio, a placa com o nome do adversário foi retirada lentamente.
Participe da discussão